O promotor de Justiça, Ariomar José Figueiredo da Silva, julgou como ‘show de horrores’ os depoimentos apresentados no primeiro dia pelos réus Eraldo Menezes e Alexinaldo Souza, acusados de participar da ocorrência que resultou na morte do menino Joel da Conceição Castro, de apenas 10 anos.
O caso em questão aconteceu em novembro de 2010. Na ocasião, uma operação da polícia, no bairro de Nordeste de Amaralina, em Salvador, culminou na tragédia. No dia anterior, Eraldo assumiu ter sido o responsável pelo disparo, mas afirmou que o tiro ocorreu de forma acidental, após ele escorregar.
Durante o segundo dia de julgamento, o promotor questinou a alegação do tiro ter sido ‘sem querer’. “As almas de vocês estão enxercadas de Sangue do menino Joel, de um menino inocente”, disse.
Ariomar ainda salienta a citada ‘lei do silêncio’ na comunidade e questiona a mesma lei nos policiais que estavam no dia da ação policial.
“Nove policiais foram denúncias inicialmente, mas só dois – Alexinaldo, quem deu a ordem indevida, e Eraldo, quem deu o tiro – estão sendo julgados”, segundo ele, porque foi comprovado durante o curso do processo a participação de ambos. “Essa criança não estava na rua. Essa crianca estava dentro de casa”, salientou.
“Não prenderam ninguém. Acharam uma arma. A gente chama de ‘vela’. Arranjaram uma arma de fogo, colocaram lá. Mas essa vela não valeu de nada, porque a criança não estava na rua, se estivesse na rua, iriam dizer que estava com ela [ a arma]”, completou o promotor
Por fim, o promotor ainda destacou o modus operandi dos policiais. “Nós temos um câncer que tem que ser cortado da carne. Nós não ingressamos na instituição para sermops reis, imperadores ou monarcas. Temos a lei e foi o que esses dois homens esqueceram. Eles deveriam ser servidores públicos”.
Fonte: A Tarde






