O cantor baiano Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. Conhecido nacionalmente por sucessos que marcaram o axé music nos anos 1990, o artista enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema linfático. A morte foi comunicada pela equipe do cantor nas redes sociais.
Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior, nome de batismo do artista, construiu uma trajetória de destaque na música brasileira. Com apresentações em trios elétricos, carnavais e micaretas, ele ajudou a popularizar a música baiana em diferentes regiões do país.
Sucesso nacional com a Banda Beijo
A projeção de Netinho começou quando ele assumiu os vocais da Banda Beijo, em 1988. À frente do grupo, ganhou notoriedade com a música “Beijo na Boca”, que contribuiu para levar seu nome ao público nacional.
Em 1993, o cantor iniciou sua carreira solo e ampliou sua presença no cenário musical. O grande marco dessa fase veio com “Milla”, canção que se tornou um dos maiores sucessos de sua trajetória e um dos hits associados ao Carnaval da Bahia.
Outras músicas, como “Menina” e “Prefixo de Verão”, também ficaram conhecidas do público e passaram a integrar o repertório de festas populares pelo Brasil.
A energia no palco e a presença nos circuitos carnavalescos consolidaram Netinho como um dos artistas lembrados da geração que impulsionou o axé music.
Polêmicas políticas e críticas públicas
Apesar do sucesso musical, a trajetória do cantor também foi marcada por controvérsias relacionadas a posicionamentos políticos e declarações públicas.
Em 2020, Netinho recebeu críticas após classificar o Carnaval de Salvador como “Sodoma e Gomorra”, em declarações nas quais questionou comportamentos durante a festa e fez comentários ofensivos sobre a comunidade LGBTQIA+. As falas provocaram reação pública, e entidades ligadas à defesa dos direitos dessa população anunciaram medidas contra o artista.
O cantor também manifestava apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, posicionamento que ampliou as discussões em torno de sua imagem pública.
Conflito envolvendo a música “Milla”
Uma das controvérsias mais conhecidas envolvendo Netinho ocorreu em 2021, quando “Milla” foi utilizada em conteúdos relacionados a uma manifestação favorável a Bolsonaro.
O compositor Manno Góes criticou a associação da canção ao ato político e questionou o uso da obra em publicações nas redes sociais sem autorização. A discussão ganhou repercussão e chegou à Justiça após a divulgação de um vídeo pela deputada federal Carla Zambelli.
Uma decisão judicial determinou a retirada de uma das publicações das redes sociais da parlamentar. O episódio colocou em evidência o debate sobre direitos autorais e a utilização de músicas em manifestações políticas.
Problemas de saúde acompanharam os últimos anos
A saúde de Netinho passou a exigir atenção especial em 2013, quando o cantor enfrentou complicações médicas graves, sofreu acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e precisou passar por um longo período de recuperação.
Em março de 2025, ele revelou ter recebido o diagnóstico de linfoma não Hodgkin. A doença interrompeu parte de sua agenda profissional e o levou a iniciar um tratamento contra o câncer.
Após períodos de recuperação, o artista voltou a enfrentar o agravamento do quadro em 2026. Com a recidiva da doença, retomou a quimioterapia e precisou ser internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, no fim de setembro.
Segundo informações divulgadas após sua morte, o linfoma evoluiu para falência renal e disfunção de múltiplos órgãos.
Legado na música baiana
A morte de Netinho encerra a trajetória de um artista que marcou uma geração do axé music e ajudou a projetar a música produzida na Bahia para todo o Brasil.
Seu repertório permanece associado ao Carnaval, aos trios elétricos e às festas populares que consolidaram o gênero como um dos principais símbolos culturais do estado.
Entre sucessos musicais, apresentações memoráveis e controvérsias que repercutiram fora dos palcos, Netinho construiu uma história de forte presença na cultura popular brasileira.
A equipe do cantor informou que as cerimônias de despedida serão realizadas de forma reservada, restritas a familiares e amigos próximos, conforme a vontade do artista.
Sugestão de linha fina alternativa: Cantor de Santo Antônio de Jesus ganhou projeção nacional nos anos 1990 e se tornou uma das vozes mais conhecidas do Carnaval baiano.
Fonte original: BNews






